#43 A Sacola Furada


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Konnichiwa Minna

Hoje venho com mais um história para vocês, a sacola furada! A história gira em torno de uma pequena família uma mãe, e suas duas filhas sendo a mais velha humilde e a mais nova egoista, o que não é muito incomum ;p A ganância só trará problemas, se deixando levar por ela tão logo a punição se aplicará sob ti. Bem sigam adiante ;p créditos para Dango Gakuen!

A sacola furada

Há muitos anos, em uma região montanhosa do Japão, vivia uma mãe com duas filhas moças. Comentários da vizinhança davam conta de que a mais velha era bondosa e querida por todos da aldeia, enquanto a mais nova era egoísta, gananciosa e muito antipática. Apesar disso, por ser a caçula, a mãe tratava melhor a mais nova, empurrando para a mais velha todos os serviços sujos e pesados da casa.

Certa ocasião, a mãe mandou que as duas fossem à floresta catar kuri (castanha). E ordenou que só voltassem quando estivessem com embornal cheio de castanhas. Assim, entregou para cada uma delas um embornal do mesmo tamanho. Acontece que a sacola da mais jovem era nova e a da mais velha, muito usada e cheia de furos.As duas andaram bastante na mata, até que encontraram um velho castanheiro esparramando sementes pelo chão. Então, começaram catar as sementes para encher logo o bornal. Apesar de a mais velha se empenhar no trabalho, à medida que colocava as castanhas por cima, elas iam vazando pelos furos e nunca ficava cheio por completo. Já a mais nova conseguiu encher com facilidade seu novo embornal.

Assim, a mais nova foi embora, enquanto a mais velha continuou catando para completar seu trabalho. Enquanto repetia o gesto de catar e ao mesmo tempo tapar os buracos com as mãos, o sol se foi e a noite chegou. Sentindo medo, resolveu voltar para casa, mas a escuridão a impedia de enxergar o caminho de volta. Andou durante algumas horas sem rumo, com temor de lobos, até que chegou a um pequeno santuário abandonado.

Quase na frente do pequeno templo havia um Jizô – estátua de pedra representando um anjo budista, protetor dos pobres e dos honestos. A moça aproximou-se da estátua e, juntando as mãos em gesto de oração, pediu ao anjo que permitisse passar a noite no santuário.

E a estátua de pedra respondeu:

– Pobre menina, se você quiser pode passar a noite aqui, porém existe um grande problema. Este local abandonado se tornou ponto de reunião dos oni, esses demônios de chifre vêm todas as noites nesta clareira para beber saquê e fazer uma grande barulheira.

– Deve ser muito perigoso, mas o que vou fazer? Não posso voltar para casa com o embornal de castanhas incompleto e corro o risco de ser devorada pelos lobos no caminho. Se eu ficar, esses demônios podem me ver e estarei perdida do mesmo modo. Que dilema. Salve-me, Jizô-san, por favor – disse a moça com lágrimas nos olhos.

– Você terá que ser corajosa. Descansará escondida atrás de mim, com aquele chapéu de palha que está pendurado no santuário. Quando os oni chegarem e estiverem fazendo festa, você deverá imitar o canto do galo batendo o chapéu de palha, para simular o bater das asas. Assim, eles irão embora pensando que vai amanhecer. E depois você poderá dormir sossegada.

A moça pegou o chapéu e sentou-se encostada atrás do Jizô, e ficou descansando. No meio da noite, conforme tinha dito o anjo budista, os demônios começaram a vir de todos os lados, cada um com um garrafão de saquê. Pouco depois, eles bebiam, cantavam e faziam jogatina… Soltavam gazes e palavrões para todos os lados. A garota estava dura de medo e rezava baixinho para não ser descoberta.

Quando a festa estava de bom tamanho, ela criou coragem e começou a imitar o canto do galo, batendo o chapéu de palha como farfalhar de asas. Os oni levaram um susto com o canto do galo.

– O galo está cantando, vai amanhecer. Vamos depressa para nossas cavernas, Amaterasu Oomikami, a Augusta Deusa Sol, vem aí.

Foi uma confusão geral. Os demônios saíram correndo para todos os lados e desapareceram dentro da mata. Assim, a moça pôde dormir sossegada no pequeno santuário.

Quando o dia chegou, diante do Jizô, a garota juntou as palmas das mãos em agradecimento e se despediu do anjo budista.

– Se você quer demonstrar gratidão, não pode ir embora deixando toda essa sujeira que os demônios fizeram na clareira do santuário. Coloque tudo no seu embornal e leve para bem longe daqui.

Na clareira, havia garrafas de saquê cheias e vazias, papéis, e muitas moedas de ouro usadas na jogatina pelos oni. A garota esvaziou seu embornal de castanhas, forrou o fundo furado com papéis e garrafas e repôs as castanhas junto com as moedas de ouro. Assim, voltou para casa feliz, pois a sacola, agora sim, estava cheia.

Quando a garota chegou em casa, levou uma bronca da mãe, porque demorou muito para voltar. Mas, quando viu as moedas de ouro, os olhos da mãe saltaram de tanta ganância. Logo, ela tratou de guardar para si as moedas. Já a irmã mais nova ficou morrendo de ciúmes, pois era ela quem gostaria de ter conseguido aquelas moedas.

Gananciosa, a mãe decidiu que as filhas deveriam voltar à floresta para pegar mais castanhas. Porém, desta vez, trocou as sacolas. Deu a sacola nova para a filha mais velha e a sacola velha para a filha mais nova. Ela queria que sua filha favorita trouxesse moedas de ouro também.

Na montanha, a história repetiu-se de modo inverso. A irmã mais velha com a sacola mais nova encheu-a primeiro de castanhas. E resolveu ajudar a mais nova.

– Não preciso de sua ajuda. Se já encheu seu embornal, vá para casa. Eu logo chego lá.

– Vou esperar por você. É perigoso ficar sozinha no meio da mata.

– É melhor você ir embora. A mamãe vai ficar brava se souber que você encheu a sacola e ficou folgadamente parada. Ela lhe espera para preparar o nosso jantar.

Assim, a mais velha voltou para casa a contragosto, pois temia que sua irmã fosse farejada pelos lobos.

Vendo a irmã mais velha ir embora, a outra se apressou em procurar o santuário abandonado do Jizô descrito pela primeira. E não tardou muito a encontrar a estátua do anjo budista.

– Jizô-san, posso passar a noite nesse santuário? – perguntou a menina para a estátua.

– Ninguém pode lhe impedir de passar a noite aqui. Porém, devo adverti-la de que é perigoso, pois à noite, vários oni vêm aqui beber e fazer jogatina. Se descobrirem, você será, com certeza, mais uma vítima desses demônios desalmados. Portanto, é melhor ir embora enquanto está claro.

– Mas, Jizô-san, eu não sou medrosa.

Assim, a menina continuou insistindo tanto, que o Jizô concordou e deu a ela a mesma instrução dada à irmã dela na noite anterior. Então, ela se escondeu atrás do Jizo com um chapéu de palha na mão e ficou à espera dos oni.

No meio da noite, mais uma vez, os demônios chegaram na clareira. Mal começou a jogatina, a menina viu o brilho das moedas de ouro e, impulsionada pela ganância, não resistiu e saiu de seu esconderijo. Começou a bater o chapéu de palha e a cantar como um galo. Os demônios levaram um grande susto com aquela inesperada barulheira. Porém, logo raciocinaram que havia algo de estranho:

– Impossível que já esteja amanhecendo! nem chegamos a esvaziar uma garrafa de saquê!

– Alguma coisa está errada. Estão querendo nos enganar!

– Procurem e descubram quem é o engraçadinho!

Não demorou muito para os oni descobrirem a garota, que, tremendo de medo, voltou para trás da estatua do Jizô.

– Ah, então foi essa que nos enganou na noite de ontem e pegou nossas moedas de ouro. Vamos dar uma surra de chicotadas nela.

A garota correu, pedindo clemência, e os demônios correram atrás dela, dando-lhe varadas e chicotadas a noite toda, até ela chegar em casa exausta e castigada. Vendo a filha mais nova apanhando dos demônios, a mãe interveio, dizendo que quem trouxe as moedas foi a irmã mais velha.

– Velha mentirosa, merece apanhar também.

– Sim, vão apanhar até nos devolverem as moedas de ouro!

Assim, depois de levar uma surra, a mãe devolveu as moedas.

Bem que a irmã mais velha confessou ser ela quem tinha trazido as moedas, porém os demônios não acreditaram.

Na hora de ir embora, os demônios deram as moedas para a irmã mais velha, dizendo:

– Você é uma boa filha. Tentou proteger a mãe, dizendo-se culpada por trazer nossas moedas. Como prêmio, vamos presentear você.

– Mas, “senhores oni”, fui eu que apanhei as moedas de vocês.

– Não precisa dizer mais nada. Nós não somos idiotas. Agora, as moedas são suas e, se alguém tentar tirá-las de você, voltaremos para cortar as mãos dessa pessoa!

Assim dizendo, os demônios voltaram para a floresta.

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