#67 Hakuja no Myojin “Deus Serpente Branca”


Konnichiwa Minna

Como muitos já devem ter percebido eu amo demais as lendas japonesas portanto trago a vocês mais uma delas! Tenha em mente que todos pagam pelos seus atos! Créditos para Mitologia e Lendas do Japão!

Hakuja no Myojin “Deus Serpente Branca”

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Hakuja no Myojin é um dos mais antigos contos do folclore japonês, conta a história de Harada Kurando, que foi um dos principais vassalos do Senhor de Tsugaru. Ele era um espadachim notável e mestre de aulas de esgrima. Durante essa época, havia entre os vassalos outro mestre, Gundayu, que também ensinou esgrima, mas não era páreo para o famoso Harada, e consequentemente tinha ciúmes de seu adversário, o que acabou provocando um dramático conflito…

Hakuja no Myojin “A Lenda”
Um dia, para incentivar a arte da esgrima entre seus vassalos, o Daimio (Senhor Feudal) de Tsugaru, convocou todo o seu povo e ordenou-lhes para promover uma competição de esgrima em sua presença.
Após os vassalos mais jovens realizarem sua apresentação, o Daimio deu uma ordem para que Harada Kurando e Hira Gundayu competissem entre si. Para o vencedor, ele disse, iria entregar uma imagem de ouro da “Deusa de Kwannon”.
Ambos os homens vedados, deram o seu melhor, provocando grande excitação entre os presentes. Gundayu nunca tinha competido dessa forma antes, mas Harada era muito melhor. Ele ganhou o jogo, recebendo a imagem de ouro de Kwannon das mãos do próprio Daimio que entusiasmado aplaudia alto.
Gundayu deixou o local da competição, fervendo de ciúmes e jurando vingança. Acompanhado de quatro de seus fiéis amigos, que disseram, iriam ajudá-lo a atacar de surpresa Harada naquela mesma noite. Tendo organizado esse plano covarde, passaram a se esconder na estrada onde Harada deveria atravessar em seu retorno para casa.
Durante três horas eles ali permaneceram carregados de más intenções. Por fim, ao luar viram Harada aproximar-se cambaleando, pois, como era natural em tal ocasião, ele tinha com os amigos, se entregado livremente ao sakê.
Gundayu e seus quatro companheiros saltaram contra ele, Gundayu gritando: “Agora você vai ter que lutar até a morte”.
Harada tentou sacar sua espada, mas estava lento e com a cabeça girando devido à bebida. Gundayu não esperou, jogando-o ao chão e matando-o. Os cinco vilões, então vasculhando suas roupas, encontraram a estátua de ouro de Kwannon, e fugiram, para nunca mais aparecer nos domínios do Senhor de Tsugaru.
Quando o corpo de Harada foi encontrado gerou uma grande tristeza no povoado.
Yonosuke, filho de Harada, um garoto de dezesseis anos, jurou vingar a morte de seu pai, obtendo a permissão especial do Daimio para matar Gundayu da forma como escolhesse, pois o seu desaparecimento, era prova suficiente de que ele fosse o assassino.
Naquele mesmo dia, o jovem estabeleceu  sua caça a Gundayu. Ele vagou sobre o país durante cinco longos anos sem ter a menor pista de seu paradeiro, mas, ao final desse tempo, e com a orientação de Buda, ele localizou seu inimigo em “Gifu”, onde ele estava agindo como mestre de esgrima para o senhor feudal daquele lugar.

O jovem Yonosuke descobriu que seria difícil conseguir cumprir sua missão, pois Gundayu quase nunca saía do castelo. Ele decidiu então mudar o seu nome para o de Ippai, e se candidatar a uma vaga na casa de Gundayu como “chugen” (atendente privado de um samurai).

Neste intento, Ippai (como Yonosuke agora era chamado) foi particularmente bem sucedido, pois como Gundayu tinha necessidade de tal atendimento, ele conseguiu o posto.

No dia 24 de junho, uma grande festa foi realizada na casa de Gundayu, sendo o quinto aniversário do seu serviço ao clã. Ele colocou a imagem de ouro roubada da Deusa Kwannon no Tokonoma (espécie de altar japonês, espaço elevado cerca de cinco centímetros acima do chão, onde as imagens e as flores são colocadas). Um jantar foi dado por Gundayu aos seus amigos, todos eles beberam tanto que adormeceram profundamente. No dia seguinte, a imagem de Kwannon tinha desaparecido.

Poucos dias depois Ippai ficou doente, e devido à pobreza, não foi capaz de comprar remédio adequado a sua doença, febril ele ia de mal a pior. Seus companheiros de serviço foram gentis com ele, mas eles não podiam fazer nada para melhorar sua condição. Ippai não parecia se importar, ele estava deitado em sua cama e parecia quase feliz por estar ficando cada vez mais fraco. Tudo o que ele pediu foi que um ramo de sua Omoto favorita (Rhodéa japonica) fosse mantida em um vaso próximo a sua cama, para que ele pudesse vê-lo continuamente, e este simples pedido foi naturalmente cumprido.

No outono, Ippai silenciosamente morreu e foi sepultado. Depois do funeral, quando os funcionários estavam limpando o quarto em que ele tinha morrido, notaram com espanto, que uma pequena cobra branca estava enrolada em volta do vaso que continha a Omoto. Eles tentaram removê-la, mas ela se enrolou apertado, por fim, eles jogaram o vaso na lagoa. Para sua surpresa, a água não teve efeito sobre a serpente, que continuou a agarrar-se ao vaso. Sentindo que havia algo estranho com a cobra, eles queriam enviá-la para longe. E, lançando uma rede, trouxeram o vaso com a cobra para tentar soltá-la, mais sem sucesso, lançaram mais uma vez o vaso em um córrego. Como da outra vez, fez pouca diferença, a cobra mudou um pouco sua posição, de modo a manter-se presa ao ramo da Omoto sem cair fora do vaso.

Por esta altura, houve grande consternação entre os servos, e a notícia se espalhou para as diferentes casas dentro dos portões do castelo. Alguns samurais desceram ao rio para ver, e encontraram a cobra branca ainda firmemente enrolada ao ramo sobre o vaso. Um dos samurais desembainhou sua espada e fez um corte na serpente, que soltou e fugiu.  Mas o vaso foi quebrado, e para o espanto de todos, a imagem do Kwannon caiu no córrego, juntamente com uma autorização do Senhor Feudal de Tsugaru para matar um homem, cujo nome foi deixado em branco.

O samurai que tinha quebrado o vaso e encontrou o tesouro perdido, parecia particularmente satisfeito, e apressou-se em dar a Gundayu a boa notícia, mas em vez de ficar feliz, ele demonstrou sinais de medo. Gundayu tornou-se pálido mortal quando ouviu a história da morte de Ippai e da aparência extraordinária da cobra branca misteriosa. Ele tremia quando percebeu que Ippai não era menos que Yonosuke, filho de Harada, cuja presença após o assassinato ele sempre temera.

Fiel ao espírito de um samurai, no entanto, Gundayu ‘se recompôs’, e professou grande prazer a pessoa que trouxe a imagem de Kwannon. Além disso, para celebrar a ocasião, ele deu uma grande festa naquela noite. Curiosamente, o samurai que tinha quebrado o vaso e recuperou a imagem tornou-se subitamente doente, e não pôde comparecer.

Por volta das 10:00, depois de ter se despedido de seus convidados, Gundayu retirou-se para sua cama. No meio da noite, ele acordou com o que ele considerava ser um terrível pesadelo. Havia uma sensação de asfixia em sua garganta, ele se contorcia e tossia; ruídos borbulhantes procederam de sua boca de tal forma que ele despertou sua esposa, que em terror acendeu uma vela. Ela viu então uma cobra branca enrolada firmemente em volta da garganta de seu marido, seu rosto estava roxo, e seus olhos esbugalhados se destacaram dois centímetros de seu rosto.

Ela pediu ajuda, mas já era tarde demais. À medida que um jovem samurai veio correndo, seu mestre de esgrima, com o rosto desfigurado morreu.

No dia seguinte, houve uma investigação no castelo. Mensageiros foram enviados para o Senhor de Tsugaru para saber sobre a história do assassinato de Harada Kurando, pai de Yonosuke, ou ‘Ippai’, descobrindo que Gundayu, tinha estado a seu serviço.

Tendo verificado a verdade, o Senhor de Gifu, movido pelo seu zelo de pai, e comovido pela história de Yonosuke  no cumprimento das suas funções filiais, enviou de volta a estátua de ouro de Kwannon à família enlutada de Harada. E em homenagem, ele adorou a  cobra morta em um santuário erguido no sopé da Montanha  Kodayama.  O espírito ainda é conhecido como Hakuja  no Myojin,  “O Deus Serpente Branca”

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